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2 de Maio de 2018

Exames genéticos podem prevenir um ataque cardíaco ou mal súbito?

No 35º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj), que ocorreu neste mês, um dos temas debatidos foi o papel dos exames de DNA na detecção precoce de doenças que podem provocar morte súbita cardíaca. E tudo indica que, sim, há vantagem para o coração no rastreio, que tem ganhado espaço nos consultórios.

“A tendência é solicitá-lo já nas primeiras avaliações, quando há suspeita de uma cardiopatia hereditária, ou mesmo com o diagnóstico estabelecido, porque os familiares se beneficiam da detecção precoce”, explica Arsonval Lamounier Júnior, cardiologista que atualmente faz doutorado em Cardiopatias Familiares e Genética Cardiovascular na Universidade La Coruña, na Espanha.

A ideia é que, ao localizar mutações em alguns genes, os especialistas possam agir preventivamente para reduzir a possibilidade de uma pane no futuro. “Calcula-se que entre 15 e 20% dos casos de morte súbita cardíaca tenham origem genética”, continua Lamounier.

Dos distúrbios associados ao DNA, o mais comum é a miocardiopatia hipertrófica. Ela basicamente torna o coração maior que o normal, o que dificulta o bombeamento do sangue. A condição afeta uma a cada 500 pessoas.

Mas há muitos quadros possíveis aqui, de condições que acometem a aorta, principal artéria do corpo, a malformações congênitas, passando por alterações no metabolismo do colesterol e outras síndromes.

O DNA importa, mas…

“Se descobrimos que a pessoa não tem a mutação que causa ou aumenta o risco de determinado problema na família, isso só vale para aquela doença”, explica Lamounier. Ou seja, o músculo cardíaco ainda está sujeito a várias outras encrencas, principalmente as que aparecem por causa de um estilo de vida desregrado, com pouca atividade física, má alimentação e estresse constante.

Tanto que, embora os defeitos genéticos dobrem o risco de doenças cardíacas, os hábitos saudáveis cortam essa mesma probabilidade pela metade. Foi o que concluiu um estudo com mais de 55 mil pessoas, conduzido por universidades norte-americanas e publicado no The New England Journal of Medicine em 2016. Dito de outra forma, seu estilo de vida ajuda a minimizar os estragos que seriam ocasionados por um DNA desfavorável.

Qual teste fazer

“O mais utilizado é o sequenciamento por painel, na sigla em inglês NGS [Next Generation Sequencing]”, aponta Lamounier. Ele analisa centenas de genes de uma vez só, mas tem um preço salgado, na casa dos milhares de reais.

Portanto, vale conversar bem com o cardiologista e calcular os prós e contras de fazer um investimento do tipo. Até mesmo porque existem diversos exames e eles não analisam todo os genes de uma vez, então é preciso mirar em alvos específicos.

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